quarta-feira, 8 de outubro de 2014

6+5=12 A prosperidade no candomblé.

Para quem tem como prática religiosa o culto aos orixás, o dia 6 do mês 6 foi, e continuará sendo, de extrema importância. Afinal, no profundo sistema numérico do jogo de búzios, o número 6 foi o responsável por trazer a prosperidade para a Terra. Para o povo africano, de quem herdamos uma boa parcela de nossa filosofia de vida, ser próspero é uma obrigação. Por isso, nessa data, o “povo de santo” fica todo ouriçado: põe suas melhores joias, sai para fazer compras e faz oferendas. Tudo para atrair prosperidade. O alcance dessa graça é um dos maiores desejos do ser humano. Mas quem é essa tão desejada prosperidade?…
Diferente do que normalmente se costuma pensar, a filosofia yorubá não relaciona prosperidade, apenas, a dinheiro. A referida palavra quer indicar uma reunião de circunstâncias que precisam ser buscadas, para que se vá alcançando, continuamente, um estado mais elevado do ser, em seus diferentes aspectos: físico, emocional, social, espiritual e, é claro, financeiro. Até mesmo porque de nada adianta se ter muito dinheiro sem a tranquilidade necessária para saber usá-lo com sabedoria.
Quando elevamos nossos pensamentos aos orixás, dizemos: Olu wá mi, fún mi ni ekun fún mi ni owo = Venha meu senhor e me traga força pura para que eu possa ter dinheiro. Força pura é o axé que permite que os obstáculos sejam vencidos. É um grande risco, então, pedir dinheiro aos deuses, sem que se tenha antes pedido e alcançado o axé necessário para que ele seja um aliado e não um inimigo. Dinheiro, sexo e poder são como “faca de dois gumes”: tanto podem levar à ascensão como ao fracasso.
Este artigo é fruto da vivência que tive com dois filhos meus. Um pela empolgação e outro pela curiosidade demonstraram interesse de conhecer mais profundamente, e de acordo com a tradição que os guia, um tema a que outras tradições também se dedicam com afinco – a prosperidade, que na cultura yorubá é simbolizada pelo número seis. É através da leitura dos números que esse povo e seus descendentes encontram soluções para as dificuldades diárias. Os números falam e os mitos nos ajudam a entender o que eles dizem. Sem o conhecimento das histórias míticas nunca entenderíamos o porquê de ser dito: 6 + 12 = 5:
O número 6 e o número 12 surgiram de um bloco de ouro. Eles se apaixonaram, perdidamente. Dessa união nasceu Ajé – orixá símbolo da riqueza –, irmã de Yemanja – a dona da pérola e de outras pedras preciosas, orixá que tem no número 5 uma de suas formas de se comunicar. Do número seis, portanto, nasceram a riqueza e o costume de usar joias; mas também com ele vieram a vaidade e o orgulho, que podem levar à destruição de tudo que se conquistou. Esse número lembra-nos que o destino das criaturas é a prosperidade e que a humildade é uma das condições fundamentais para a aquisição desta graça.
O número 6 nos conta, através de um de seus mitos:
Todos os anos, Olorum fazia uma festa e convidava os números 1 a 16, a fim de que eles prestassem conta de seus atos na Terra. Encerrada a reunião, todos eram presenteados de acordo com o valor de seus méritos. Naquele ano, porém, a Divindade Suprema resolveu que daria um presente igual para todos. O número 6 era muito pobre e por isto seus irmãos foram até sua casa, antes da festa, para almoçar. A real intenção era humilhar o dono da casa, que mal tinha como alimentar sua própria família. Seis deu tudo que tinha guardado para a alimentação do mês. Nem assim deixou de sofrer gozação. Já cansado de tanta humilhação, ele desistiu de ir à tal reunião. Olorum sentiu sua falta, mas nada comentou.  No final da festa, os números, de 1 a 16 (menos 6), receberam uma abóbora. Todos ficaram revoltados com um presente tão simples e despejaram todas as abóboras na casa de 6. Eles só não sabiam que os frutos estavam recheados com ouro e joias. No ano seguinte, todos se surpreenderam ao ver que o mais pobre dos irmãos era agora muito rico. Olorum, então, disse-lhes: Vocês todos têm riqueza, mas 6 tem prosperidade.

Consulta ao Oráculo e o Ritmo do Candomblé

O destino das pessoas e tudo o que existe podem ser desvendados por meio da consulta a Ifá, o oráculo, que se manifesta pelo jogo. Ifá tem seu culto específico e o mais alto cargo do culto de Ifá é o de oluô, título concedido a alguns babalaôs. Ifá é o orixá da advinhação e para tudo ele deve ser consultado. Existem dois tipos de jogo: o do opelê-Ifá e o jogo de búzios.
No jogo de búzios, mais comum, quem fala é Exu. São dezesseis búzios que podem ser jogados também pelos babalorixás e ialorixás. A consulta a Ifá é uma atividade exclusivamente masculina, mas as mulheres passaram a poder pegar nos búzios porque Oxum fez um trato com Exu, conseguindo dele permissão para jogar. Tanto o jogo de búzios como o do opelê-Ifá baseiam-se num sistema matemático, em que se estabelecem 256 combinações resultantes da multiplicação dos 16 Odus uasdos no jogo de búzios por 16. Nada se faz sem que antes se consulte o oráculo. Quanto mais séria a questão a serm reslovida, maior a responsabilidade da pessoa que faz o jogo.
As obrigações do Odu, ou ano ritual, são muito importantes para uma casa. é dali que cada pessoa e a própria casa retiram a força necessária para continuar existindo. As oferendas representam uma troca constante de axé. Muitos detalhes precisam ser pensados para que os preceitos sejam cumpridos à risca. Por isso, antes do início do Odu, é indispensável que se faça um jogo para saber exatamente como devem ser realizadas as obrigações.
No Brasil, o ano ritual varia muito de uma casa para outra, mas em todas elas as obrigações começam com as “Águas de Oxalá”. Como nem sempre essa obrigação é feita no início do ano, é necessário que se faça anualmente o jogo para saber qual o Odu que irá reger o ano. A partir do conhecimento do Odu, o oluô prescreve os ebós necessários às pessoas para que elas atravessem com sucesso o ano novo que se inicia. A partir do conhecimento dos Orixás que regem o ano, outros jogos são feitos para estabelecer as obrigações que a casa deve cumprir durante aquele ano: fica-se, então, sabendo como deverão ser homenageados os orixás, o que lhes será oferecidpo, quando etc.
Além dos jogos feitos para a casa como um todo, são feitos também jogos individuais que indicam feituras, boris e toda a sorte de obrigações individuais que devem ser feitas para os filhos da casa. Uma vez estabelecido o calendário do ano, têm início as obrigações. As obrigações do Dum são compostas por momentos bem definidos.
A primeira parte de todas as obrigações se constitui de ritos preliminares, em que as pessoas e a casa são preparadas para a realização daquela obrigação. Antes do início de qualquer obrigação, todos os membros do egbé presentes tomam banhos com ervas adequadas à obrigação que irá se iniciar. O banho prepara o corpo. Sem tomar banho não se pode participar de nada. Esse é um dos muitos exemplos da importância de Ossaim, o dono das folhas. Sem folha nada se faz.
A partir de então, tem início a obrigação propriamente dita, que se compõe de cinco partes: a matança, o padê, o ianlê, a festa e a entrega do carrego, tudo de acordo com o jogo feito para o Odu, assim como pelo jogo feito antes da realização de cada obrigação e mesmo para cada etapa de uma mesma obrigação.

Bolar no Santo


"Bolar" é como denominamos o primeiro transe, quando o não iniciado sente pela primeira vez a energia de seu orixá.

Essa energia é densa e o faz "desmaiar", caindo ao chão em transe profundo.

Bolar vem de embolar, e é uma formar alterada do iorubá Bólóna (Bó, cair + lóna(n), no caminho).

Seus sintomas são os mesmos de um transe, porém de forma bruta e sem qualquer tipo de previsão ou apontamento para o fato.

Quando acontece o “Bolar no santo” a pessoa perde os
sentidos e cai no chão. Para uma melhor explicação, ela recebeu uma carga forte do orixá e não suportou.

O ato de Bolar parece muito complicado, mais na verdade é simples, pois a pessoa não é obrigada a se iniciar, ela pode esperar até ter condições. Ou se não for da vontade dela raspar o santo, ela pode permanecer como Abian.

As pessoas podem bolar até em cantigas de Xirê que não tenha haver com seu orixá, também é comum bolar no Xirê de Oxalá, pois ele é pai de todos. Não significa que se bolou em cantiga de um orixá, seja del

Em casa tradicionais, é costume o neófito entrar para se iniciar nesse estado físico, para isso ocorre a cerimonia do Bolonan, quando a Iyalorixá ou Babalorixá invocam esse transe bruto e com o decorrer da iniciação a energia possa ser moldada de acordo com aquela tradição.

O que é o erê?



Erê é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si; reside no ponto exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa sua vontade, que o noviço aprende as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os ritos específicos de seu Orixá. A palavra Eré vem do yorubá, eré, que significa "brincar". Daí a expressão siré que significa "fazer brincadeiras". A palavra iré em yorubá significa "boa ação ou favor". Também podemos indentificar o erê como derivado do termo iorubá asiwere, que possui o significado de louco ou maluco, entretanto, essas palavras precisam ser interpretadas de forma mais amena porque se refere somente ao comportamento infantil.
 O Ere (não confundir com criança que em yorubá é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do orixá, ou seja, o Erê é o intermediário entre o iniciado e o orixá. Durante o ritual de iniciação, o Erê é de suma importância pois é o Erê que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado.O Erê é às vezes confundido com ibeji, que na verdade é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Erê é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão.
O Erê conhece todas as preocupações do iyawo (filho), também, aí chamado de omon-tú ou “criança-nova”. O comportamento do iniciado em estado de "Erê" é mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade, que pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu orixá. Noventa por cento dos iniciados não possuem assentamento de ere, pois acredita-se que ele está contido na própria energia do Orixá, embora suas oferendas são servidas e sempre estão presentes nos rituais de mesa fria.
O erê é masculino se o orixá for masculino, ou feminino se o orixá é feminino. Por ser um estado intermediário entre o orixá e o iyawo ele se restringe a comer comidas de santo, sua fala é um misto de iorubá com a língua nativa do iyawo. Cada erê tem seu nome particularizado, de acordo com as especificações de cada orixá. Aqueles dedicados a Xangô podem ser chamar Trovão, Corisco; os de Iyemanja, Pérola, Estrela do Mar, Conchinha; os de Oxalá, Atori, Nuvem,  Pilão e assim por diante.

É IMPORTANTE NÃO CONFUNDIR O ERÊ DO CANDOMBLÉ (ESTADO DE TRANSE INTERMEDIÁRIO ENTRE O ORIXÁ E O IYAWO) COM O ERÊ DA UMBANDA (ESPIRITO DE UMA CRIANÇA DESENCARNADA QUE RETORNA PARA A PRATICA DA CARIDADE E PARA CONTINUAR SUA EVOLUÇÃO) 

Percebam a diferença na definição de Ibejada - A falange das Crianças na Umbanda. 

 Erê (espíritos de Crianças) na Umbanda são a alegria que contagia a Umbanda. Descem nos terreiros (casa da Umbanda) simbolizando a pureza, a inocência e a singeleza. Seus trabalhos se resumem em brincadeiras e divertimentos. Podemos pedir-lhes ajuda para os nossos filhos, resolução de problemas, fazer confidências, mexericos, mas nunca para o mal, pois eles não atendem pedidos dessa natureza.
São espíritos que já estiveram encarnados na terra e que optaram por continuar sua evolução espiritual através da prática de caridade, incorporando em médiuns nos terreiros de Umbanda. Em sua maioria, foram espíritos que desencarnaram com pouca idade (terrena), por isso trazem características de sua última encarnação, como o trejeito e a fala de criança, o gosto por brinquedos e doces.
As Crianças da Umbanda tem os nomes relacionados normalmente a nomes comuns, normalmente brasileiros. Rosinha, Mariazinha, Ritinha, Pedrinho, Paulinho, Cosminho, etc...
As crianças de Umbanda comem bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas.

Ósún Abalú - A dona do Abebé.


Mais velha, envolvida em ações misteriosas e obscuras relacionadas, talvez, à prática da feitiçaria. Iyaba de numerosos filhos e netos, considerada Iyá Ominibú.
Abalô em yorubá é o nome dado para Oxum quando este Orixá ou sua manifestação brinca com o abebé.
É severa e autoritária. É muito ciumenta e adora receber flores como oferenda, principalmente hortênsias. Itans contam de ligação com Omolú, que o acompanha em suas andanças pelos quatro cantos do mundo.
Guardiã do Iyawô no período de kelê, sendo considerada repressora, a que puni os maus feitos do período sagrado dos limites.
Veste-se de cores claras, (usa abebé, é a verdadeira dona do leque e sempre se apresenta com ele).
Mora em águas de bacias e pequenos riachos próximos do mar com Yemanjá.

Dadá, ídolo da natureza, irmão mais velho de Xangô.

Dadá foi traduzido como natureza, mas na verdade é o protetor das crianças, recém nascidas. É adorado sob a forma de uma cabaça da qual pendem tiras de búzios compridas. Pacifico foi um rei fraco e quase não reinou. Amava as crianças, a beleza e a decoração. As mulheres o querem muito bem. Foi divinizado por sua bondade, sua elegância e  por ter nascido com cabelos encaracolados como uma peruca. Dadá foi deposto porque não sabia resistir a Olowu. Xangô então afugentou Olowu e seu exército, aterrorizando-os com à fumaça que saia da boca e das narinas.

Baayani é um ser calmo e pacífico.Se alguém o incomoda, ele não se zanga. Se as pessoas entregam-se a atos de violência, Baayani não se envolve. Ele tem compreensão e sabedoria, mas não tem força, nem bravura. Estas qualidades, Olodumaré deu a seu irmão mais novo, Xangô. Baayani sabe disto e diz de vez em quando, que se ele não é capaz de brigar, ele agradece a Olodumaré tê-lo dado um irmão valente. As pessoas fizeram um provérbio:"Se Baayani não é capaz de brigar, ele tem um valente irmão caçula".


Sàngbá sàngbá
Ele executou feitos maravilhosos, feitos maravilhosos.
Didè ó ní Ígbòdo
Pairou sobre Igbodo,
Ode ni mó
Os caçadores
Syìí ní, òní ó
Sabem disto.


Òní Dàda , àgò lá rí
Senhor Dadá, permita-nos vê-lo !!
Òní Dàda , àgò lá rí
Senhor Dadá, permita-nos vê-lo !!


Dàda má sokun mò
Dadá não chore mais.
Dàda má sokun mò
Dadá não chore mais.
Ò feere ó ní feere
É franco tolerante,
Ó bgé l´orun
Ele vive no orun,
Bàbá kíní l´onòn da rí
É o pai que olha por nós nos caminhos.

Verger (1987 : 32), citando um dos mitos de Dadá, informa que este fundou a cidade de Igoho e era muito rico. Quando se tornou rei de Oió, trouxe parte de sua riqueza para o seu novo reino, esperando sempre novas provisões de sua antiga cidade. Acrescentando que, “quando Xangô quer possuir um dos seus sacerdotes, as pessoas cantam primeiro: ‘Dadá ma sokun mon’ – Dadá não chore mais”, para que ele não se afligisse, pois novas riquezas chegariam logo.


Báyànni gìdigìdi , Báyànni olà
Báyànni gidigidi , Báyànni olà Baiani
Ajaká é forte como um animal e muito, muito rico.


Báyànni adé, Báyànni òwò
Báyànni adé , Báyànni òwò
A coroa de Baiani é honrosa e muito rica.

A coroa de Baiani, descrita no cântico, da qual é dito ser honrosa e pertencer a um obá, refere-se a Ajaká, terceiro rei de Oió. A palavra òwò, significando dinheiro, riqueza, está relacionada a uma grande quantidade de búzios que ornam esta coroa e que antigamente serviam como moeda. No texto existe uma ligação de honra com riqueza, através da palavra w . Com referência aos termos: gidigidi, que é um superlativo, isto é, muito; e gìdigìdi, animal grande e forte. Tratam-se de trocadilhos, ou jogo de palavras, recurso muito comum na língua iorubá. Essa associação foi feita quando buscávamos o sentido do canto, pelo sacerdote que nos relatou seu significado, que lembrou também o mito de Xangô com o carneiro:


Àjàká òké Òrìsá
O orixá do monte Ájàká.
Àjàká òké Òrìsá
O orixá do monte Ájàká.


Ò be ri ó, ní Dàda sókun,
Ele existe, eu vi, e é Dada quem chora
Àwa ri ó ó ní Dada sókun.
Ele existe, eu vi, e é Dada quem chora


Àjàká máa bè ká wòóo Ajaká
Não implora nem mesmo ao poderoso Xangô.
Àjàká máa bè ká wòóo Ajaká
Não implora nem mesmo ao poderoso Xangô.
A e bàbá àjàká máa bè ká wòóo
Nosso pai Àjáká não implora nem mesmo ao poderoso Xangô.

Os cantos ressaltam a tolerância de Ajaká, o obá pacífico, o mecenas, que muitas vezes fingia não ver, “o ar insolente de seu irmão mais velho, Xangô”, dado a disputas e turbulências. O texto também solicita ao rei que nos caminhos, quem sabe, da vida, vele pelos desafortunados.

O ritual do Ajere



Ajere é o nome de uma das cerimonias realizadas na festa de Sàngó.

Relembra uma passagem na qual Iyánsàn foi encarregada de levar o encanto do fogo para Sàngó, e  no meio do caminho resolveu experimentá-lo. Abriu o recipiente e provou um pouco do líquido. Quando foi falar com Sàngó, saiu fogo de sua boca. Foi então que Sàngó percebeu que ela lhe havia roubado o poder do fogo que era destinado somente a ele.  Foi uma artimanha de Èsù para mostrar como as mulheres são curiosas.

As luzes são apagadas e a Iyánsàn mais velha entra com uma panela de barro cheia de brasa e fogo.

Ao toque do Alujá Sàngó e Iyánsàn dançam com a panela na cabeça. A panela passa de uma cabeça para a outra e só os Òrìsà é que conseguem tocá-la devido à quentura.

O tempo de duração da cerimonia é o necessário para que todos os Sàngó e todas as Iyánsàn tenho conseguido segurar pelo menos uma vez a panela. O ultimo a segurar o Ajere é Sàngó que sai do salão com a panela na cabeça.

Após a cerimonia as luzes são acesas e os orixás dançam suas cantigas separadamente.


As danças de Oyá são muito espetaculares. Ela manda nos Eguns. Com grandes movimentos nos braços, impede sua passagem e os afasta. Ela vai até os atabaques colocando a palma de suas mãos para frente e, apressada, dirige-se até a entrada do barracão. Agitada e nervosa, corre para todos os lados como se quisesse afastar o perigo;
depois pára e dança, balançando os quadris de maneira provocadora. Diz-se então que ela esta quebrando os pratos.